As ocorrências com fogueiras cresceram 61% em Santa Catarina nos últimos dois anos, o que levou o Corpo de Bombeiros a reforçar as orientações de prevenção com a chegada das festas juninas. De acordo com a Sociedade Brasileira de Queimaduras, o cenário nacional já é preocupante:
- 1 milhão de casos de queimaduras por ano (uma pessoa a cada 32 segundos).
- 52 casos diários são graves e exigem internação hospitalar.
- 3 mil mortes anuais em decorrência dessas lesões.
O mês de junho acende um alerta ainda maior, pois as tradições das festas juninas tendem a piorar essas estatísticas. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) registrou um aumento expressivo nas ocorrências com fogueiras nos últimos anos:
- 2023, 31 ocorrências.
- 2024, 33 ocorrências.
- 2025, 50 ocorrências (alta de 61% em dois anos)
Embora os dados abranjam o ano todo, o órgão destaca que os casos se concentram fortemente entre os meses de junho e julho. Pois, é o período em que as fogueiras viram rotina em quintais, sítios e festas juninas pelo estado.
“Os fogos de artifício costumam dominar o noticiário sobre acidentes juninos, mas a fogueira, ‘mais doméstica’ e culturalmente naturalizada, produz um tipo de acidente menos espetacular e mais frequente: queimaduras de segundo grau em mãos, punhos, braços, tronco, rosto e olhos, frequentemente provocadas por estalos e estilhaços durante o acendimento, especialmente quando se usam materiais inflamáveis como papel, madeira seca ou álcool”, destaca o comandante-geral, coronel Fabiano de Souza.
A regra da altura
A Instrução Normativa 24 do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina estabelece que a pergunta principal antes de acender uma fogueira deve ser sobre a sua altura, pois o critério de segurança é proporcional: o fogo deve estar afastado, no mínimo, uma vez e meia a sua própria altura de construções, vias públicas, fiação e materiais inflamáveis. Exemplos práticos de afastamento necessário:
- Fogueira de 1,5 metro (comum em quintais): mais de 2 metros de raio livre.
- Fogueira de 2 metros: 3 metros de raio livre.
- Fogueira de 4 metros: 6 metros de raio livre.
Três regras técnicas que quase ninguém conhece
A norma do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina traz orientações de segurança essenciais que contrariam práticas comuns:
- Acenda pelo topo, não pela base: Começar o fogo por cima faz com que a fogueira queime de forma gradual e estável. Acender por baixo faz a pilha de madeira desabar rapidamente, espalhando brasas e perdendo o controle do fogo.
- Proibido jogar fogos de artifício na fogueira: Arremessar bombinhas ou rojões nas chamas é expressamente proibido, pois a explosão arremessa brasas perigosas em direção a pessoas, telhados e vegetação.
- Use uma camada de areia na base: Forrar o chão com areia antes de montar a fogueira impede que o calor atinja raízes e folhagens subterrâneas, evitando que o fogo reacenda horas após o fim da festa.
Cuidados básicos para uma noite sem ocorrência
- Distância e Local: Mantenha a fogueira afastada de vegetação, construções e redes elétricas por uma distância de, no mínimo, uma vez e meia a sua própria altura. Evite acendê-la em dias de vento forte e use uma camada de areia entre o solo e a madeira.
- Manuseio e Combustíveis: Nunca utilize líquidos inflamáveis (como álcool, gasolina ou querosene) para acender o fogo e tenha sempre um balde de água ou areia por perto para emergências.
- Cuidados Pessoais: Não use roupas largas, com mangas compridas ou tecidos sintéticos perto do fogo, e não acenda a fogueira se tiver consumido bebidas alcoólicas.
- Supervisão: Mantenha crianças e animais constantemente afastados e sob vigilância.
Fonte: CBMSC

